Guia Jurídico para YouTubers – Parte 3: Monetizando Gameplays

No Brasil e no mundo, canais de gamers estão entre os mais seguidos e visualizados. As abordagens dos youtubers são as mais diferentes. Alguns fazem críticas e reviews de jogos, outros transmitem suas partidas, outros ensinam códigos, segredos e macetes. Há aqueles que até criam suas próprias histórias e narrativas a partir de jogos como Minecraft.

 

Surge então uma dúvida comum: posso monetizar meus vídeos?

 

O próprio YouTube tem uma página explicando as regras para monetização a partir de conteúdos de videogames e softwares. Confira nesse link. Vamos tentar traduzir e explicar um pouco o que significam esses termos.

 

Conteúdos ligados a videogames podem ser monetizados dependendo da licença comercial das empresas desenvolvedoras/distribuidoras. Normalmente essas empresas publicam suas próprias políticas de vídeos para esclarecer o assunto. Veja, por exemplo, o caso da Blizzard, dona de sucessos como World of Warcraft e Overwatch.

 

Logo, utilizações fora desses termos precisarão de uma autorização específica da empresa. Não pense que isso é totalmente inacessível. É absolutamente possível entrar em contato com as empresas e pedir essa autorização. [1]

 

Porém, o YouTube permite a monetização mesmo sem autorização das empresas de games. Isso acontece em casos em que o uso é semelhante ao fair use, ou seja, utiliza-se pequenos trechos, normalmente em caráter informativo, que não geram prejuízo para as desenvolvedoras/distribuidoras. [2]

 

Assim, se o gamer está transmitindo sua partida fazendo comentários, explicando o jogo, etc. ele poderá monetizar o vídeo. A ideia é que esse tipo de conteúdo tem valor educativo e/ou pedagógico.

 

Por outro lado, se os vídeos se limitarem a mostrar um usuário jogando videogame (ou usando um software) por tempo prolongado podem não ser aceitos para monetização.

 

Ou seja, o dono do canal deve tentar conciliar a política e as licenças das empresas de games com os termos do YouTube. Claro que isso não é suficiente para esclarecer todas as eventuais dúvidas sobre o tema. Por exemplo:

  1. Quais tipos de comentário preciso fazer para ser considerado um uso justo?
  2. Qual a duração máxima que minha gameplay pode ter?
  3. Preciso fazer alguma ressalva ou observação no começo ou final do vídeo?
  4. Posso editar meus vídeos e mostrar apenas alguns trechos selecionados?
  5. Preciso inserir a logo ou nome da desenvolvedora/distribuidora no vídeo em algum momento? Ou ainda, preciso dar informações técnicas sobre o jogo?

 

Se você acompanha nossa coluna aqui no site, sabe que questionamentos envolvendo propriedade intelectual nem sempre podem ser respondidos assim “em abstrato”. E mesmo analisando o caso concreto, nem sempre a resposta é “preto no branco”.

 

As políticas/licenças das empresas e os termos de uso do YouTube ajudam a dar maior certeza sobre o que não se pode fazer, mas não necessariamente sobre o que se pode fazer (para o vídeo ser monetizado). Vale reforçar que esse boom de canais dedicados aos videogames é muito recente. Ora, o próprio PewDiePie (dono do maior canal da plataforma) se inscreveu apenas em 2010.  Ou seja, estamos falando de um assunto bastante novo.

 

Abraços e boas ideias!

 

[1] Vale conferir esta lista com um resumo das políticas por empresa: http://alloyseven.tv/videocreators/75-monetize-youtube

[2] Sobre o fair use, conferir: http://fairuse.stanford.edu/overview/fair-use/; https://www.copyright.gov/fls/fl102.html.

 

Foto por WikiWriteyWeb. Em Wikipedia.