7 dicas para a captação em projetos aprovados em Leis de Incentivo

As leis de incentivo consolidaram-se como uma importante fonte de financiamento à cultura no Brasil. Por meio desses instrumentos, doadores e patrocinadores podem abater de seu imposto de renda aportes realizados em projetos culturais. Esse é o caso da Lei Rouanet, Lei do Audiovisual e dos FUNCINES – para citar alguns exemplos.

 

Porém, se você já pesquisou sobre o funcionamento dessas leis, deve ter ouvido falar que são poucos os proponentes que conseguem efetivamente captar recursos no mercado, apesar de terem seu projeto aprovado no órgão público correspondente. No caso da Lei Rouanet, desde sua instituição, cerca de apenas 45% dos 108.871 projetos aprovados conseguiram algum apoio.

 

tabel-rouanet2

Fonte: SALIC Net, consulta realizada em 20 de outubro de 2016

 

Por que isso acontece?

 

Por vários motivos, tais como: (1) desinteresse dos mecenas em apoiar projetos de algumas regiões do país ou de alguns tipos de expressões culturais; (2) limitação do tipo de empresa que pode apoiar; (3) limitações legais de dedução do imposto; (4) dificuldade de acesso e contato com potenciais apoiadores; (5) problemas na apresentação e comunicação do projeto.

 

Hoje, queremos trazer 7 dicas de apresentação do projeto para potenciais apoiadores. Vamos lá?

 

1. O que são as leis de incentivo?

O primeiro ponto (e não tão óbvio) é saber o que são e como funcionam as leis de incentivo, quais os benefícios e vantagens, os riscos, a forma de lançamento contábil etc. Isso ajudará a dar segurança ao seu apoiador.

2. Quem é você e qual o seu projeto?

É preciso expor com muita clareza o tipo de projeto, seus objetivos, o público-alvo estimado, o aporte buscado e outros pontos essenciais. Capriche no material de divulgação. O aspecto visual é muito importante! Seu currículo e portfólio também podem dar mais consistência de que o projeto será bem executado e que trará visibilidade para a marca do apoiador.

3. Quais são as contrapartidas?

O proponente deve ainda deixar claro quais são as contrapartidas pelo apoio. Pergunte a si mesmo: porque alguém apoiaria meu projeto? Tente combinar outras recompensas além da exposição da marca. Só não se esqueça de que existem algumas limitações na lei sobre o tipo de recompensa que pode ser oferecida.

4. Quem é seu interlocutor dentro da empresa?

Normalmente, os responsáveis pelo aporte em projetos incentivados são representantes do setor financeiro/tributário ou de comunicação/marketing da companhia. É importante saber com quem você dialogará para ajustar o discurso às expectativas de seu interlocutor.

5. Quais são os valores e missão da empresa?

As empresas com maior grau de maturidade institucional possuem uma série de valores e missões explícitas, que ajudam a nortear suas atividades. Qual imagem ela quer passar? Como seu projeto expressa os mesmos valores ou pode ajudar de alguma forma para a missão da companhia?

6. Como provar que seu investimento é seguro?

As recentes reprovações na prestação de contas e denúncia de fraudes envolvendo a Rouanet tornaram o mercado retraído no apoio a projetos culturais pelas leis de incentivo. No entanto, existem técnicas jurídicas para estabelecer políticas de compliance (anticorrupção) no mecenato cultural – tornando o processo mais seguro para todos.

7. Que tal inverter a ordem das coisas?

Antes de apresentar o projeto na Lei de Incentivo, algumas produtoras do campo cultural costumam se reunir com seus potenciais apoiadores para entender quais são as expectativas e possíveis ações de seu interesse.

 

Sabemos que é difícil para o artista se encarregar das questões administrativas e burocráticas ligadas ao projeto. Por isso, normalmente esse trabalho de captação fica a cargo do produtor, do gerente da campanha de marketing ou de consultorias especializadas. Por vezes, até o próprio advogado pode prestar um auxílio.

 

Finalmente, encerramos com uma dica adicional: procure sempre diversificar as fontes de recurso para viabilização de seu projeto. Lembre-se que pessoas físicas também podem aportar pelo mecanismo das leis de incentivo, existem plataformas de crowdfunding, e, em alguns casos como o audiovisual, você pode pedir um adiantamento pelo licenciamento da obra etc.

 

Abraços e boas ideias!

 

Photo by Nik MacMillian. In: Unsplash.